segunda-feira, 27 de junho de 2011

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  1. Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável: O Mercado de Carbono.

    11/05/2009 - Autor: Marcus Vinicius Pinho

    Monografia de Especialização, Centro de Desenvolvimento Sustentável - Universidade de Brasília, Brasília.


    Resumo

    As ações humanas voltadas à maximização do crescimento econômico sem a observância
    de um adequado manejo ambiental têm trazido sérias conseqüências para a estabilidade
    climática do planeta. O efeito estufa, causado pela emissão desordenada de Gases do
    Efeito Estufa (GEE), é tema recorrente nas negociações mundiais relacionadas à
    sustentabilidade da vida na terra. O desenvolvimento sustentável tornou-se um conceito e
    um princípio de suma importância em todos os foros e negociações transnacionais.
    Considerado tema de interesse geral da humanidade, é regulado, no âmbito do Direito
    Internacional, por meio de Tratados. Os principais Tratados sobre mudanças climáticas e
    desenvolvimento sustentável são a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças
    Climáticas, instituída quando da realização da Conferência Rio 92, e o Protocolo de Quioto,
    formalizado em 1997 quando da realização da terceira Conferência das Partes (COP 3) em
    Quioto, Japão. O protocolo de Quioto estabeleceu, em seu Art. 3, que as economias
    desenvolvidas ou em transição têm a obrigação vinculante de reduzir suas emissões de
    GEE em pelo menos 5% frente às concentrações desses gases verificadas no ano de 1990,
    durante o primeiro período de compromisso (2008 a 2012). Além dessa meta, o Protocolo de
    Quioto criou mecanismos de mercado com o objetivo de auxiliar as Partes a cumprirem suas
    metas de redução de emissões. Os mecanismos formais de mercado são: o Comércio de
    Emissões (CE), a Implementação Conjunta (IC) e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
    (MDL). Este último é o único que permite a participação de países em desenvolvimento. O
    MDL trabalha com o duplo objetivo de auxiliar as economias desenvolvidas a atingirem suas
    metas de redução de GEE ao menor custo possível e de promover o desenvolvimento
    sustentável nos países em desenvolvimento hospedeiros dos projetos. A essência dos
    mecanismos de mercado está na possibilidade de transferência, via comércio, dos
    excedentes de redução de carbono, alcançados pelas nações que conseguirem avançar em
    seus projetos dentro dos períodos de compromisso estabelecidos, para os países que, por
    motivos tecnológicos ou econômicos, não atingirem suas metas de redução de emissões.
    Esses excedentes são representados por créditos de carbono, quantificados e expressos
    em termos de toneladas de CO2 equivalente. A negociação desses créditos entre as Partes
    forma o proeminente mercado de carbono, que vem crescendo e se desenvolvendo de
    maneira significativa a cada ano. Além dos mecanismos formais, existem também os
    mecanismos voluntários de redução de emissões de GEE, criados por países que não se
    comprometeram com os compromissos vinculantes estabelecido por Quioto. Os créditos de
    carbono transacionados no âmbito do mercado de carbono podem ser gerados a partir de
    permissões de emissões (allowance based market) ou de projetos de redução ou captura de
    carbono (project based market). Diante do expressivo crescimento dos volumes de créditos
    de carbono negociados desde a instituição desses regimes e da demanda crescente por
    reduções de emissões, conclui-se que o mercado de carbono constitui-se em uma
    ferramenta eficaz de auxílio à mitigação das mudanças climáticas e de promoção do
    desenvolvimento sustentável mundial.

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