sábado, 23 de janeiro de 2016

ASPECTOS HUMANOS MACROJÊ

Por Raimundo Nonato Nery de Sousa raynery.sousa@gmail.com As Ocupações Humanas Pré-históricas A região de São Raimundo Nonato e do Parque Nacional da Serra da Capivara é profícua em sítios arqueológicos. Já foram catalogados mais de trezentos e sessenta sítios que contêm inscrições rupestres, material lítico e cerâmicas. A arqueóloga Niede Guidon, juntamente com os pesquisadores do Museu do Homem Americano, trabalha na área desde 1973, tendo realizado importantes descobertas para a compreensão da trajetória do homem ancestral americano. Para GUIDON (1990), estas descobertas colocam em cheque a hipótese da colonização da América, através do estreito de Bering, que limita a presença humana há apenas 12.000 anos A.P. (antes do presente). A arte figurativa, que retrata os relatos das crenças, hábitos, figuras animais, e geométricas, surgiu somente há 12 milênios (GUIDON, 1990; GUIDON & DELÍBRIAS, 1986). Os caçadores e coletores do Pleistoceno deixaram seus registros na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, que foram datados por PARENTI et al. (1990), com 14C, em até 47 mil anos A.P. Os homens do pleistoceno dependiam dos recursos naturais da região, como a água, as plantas e os animais, cujos vestígios são encontrados próximos às fogueiras pré-históricas. Para SCHMITZ (1990), o Nordeste funcionou como um centro irradiador de populações e culturas para outras áreas. No transcurso do Holoceno (12.000 a 3.000 anos A.P.), influenciaram fatores ambientais que propiciaram a expansão das populações dos caçadores-coletores da região Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O período que vai de 12.000 a 6.000 anos A.P., caracterizou-se pela intensificação da produção de material lítico de boa qualidade e da arte rupestre na região de São Raimundo Nonato. O seu apogeu foi atingido há aproximadamente 6.000 anos A.P. A bela arte produzida por estes povos, denomina-se tradição Nordeste. A partir daí, parece ter ocorrido uma aridificação do clima, migrações e decadência da arte rupestre, com a dominância da tradição Agreste que desaparece aproximadamente há 3.000 anos A.P. 36 Série Meio Ambiente Debate, 13 (SCHMITZ 1990; GUIDON, 1990; IBAMA, 1991). Aproximadamente há 3.000 anos A.P., surgiram no sudeste do Piauí, populações que praticavam a agricultura, fabricavam cerâmicas e teciam. Apesar da abundância dos restos de cerâmicas e vestígios sobre este período, existem raros estudos como o de MARANCA (1976 ). As aldeias eram circulares e densamente povoadas. Plantavam feijão, milho, amendoim e cabaça. Produziam artefatos de pedra mais sofisticados como machados polidos e diversos utensílios de cerâmica de boa qualidade. Havia rituais para os mortos que eram envolvidos em um tecido de caroá e depositados em urnas de cerâmicas (MONZON, 1980). As Tribos Indígenas A história étnica dos índios do Piauí é semelhante a história das populações indígenas do Brasil e da América: a partir do descobrimento, foram dizimados pelos colonizadores europeus. Existem poucos estudos sobre os povos indígenas do Piauí, porém, o antropólogo Luiz MOTT (1985) realizou uma investigação histórica, baseada em provas documentais. Ao analisar a literatura, observa-se que o grupo da língua Jê é composto por diversas tribos como os Pimenteiras, Acroás, Macoazes, Cherens, Gueguês, Kamakam e Jeicó. O grupo de língua Cariri ainda sobrevive no nordeste e teve tribos de Cariri e Tremembé. Cabe ressaltar que os índios Pimenteiras aparecem frequentemente nos relatos, desde o século XVII, e ocupavam grande extensão, porém, segundo Mott, foram dizimados entre 1776 e 1784. No começo da colonização do Piauí e da região de São Raimundo Nonato existiam os índios das seguintes tribos indígenas: os Pimenteiras, que dominavam toda a região do alto Piauí e alto Gurgueia; os Acroás, Gueguês e os Kamakan, que habitavam provavelmente até São Raimundo Nonato; Os Cariri, que habitam, ainda hoje, a Bahia e Pernambuco e os Tremembé que habitavam do rio Gurupi até o rio Apodi. Os estudos etnográficos, pouco precisos, poderão ser elucidados com as investigações no campo da arqueologia (MISSÃO FRANCO-BRASILEIRA, 1978). A Colonização Europeia Um dos primeiros bandeirantes a desbravar o Piauí, foi Domingos Jorge Velho em 1662. Domingos Afonso Sertão, o “mafrense”, chegou ao Piauí em 1794, tendo partido do vale do São Francisco, onde possuía fazendas, com o fito de expandir seus domínios. Esta ocupação, é claro, só foi possível com a eliminação das tribos indígenas. O comandante José Dias foi ordenado para conquistar a região de São Raimundo Nonato, o que resultou na dizimação das tribos (MOTT, 1985). A conquista do Piauí se deu em consequência da expansão da economia açucareira. As terras do Piauí não eram próprias ao plantio, porém possibilitaram o desenvolvimento pastoril, transformando-se na principal área pastoril do Nordeste, sendo considerada por séculos como o “curral e açougue” das áreas canavieiras. Em 1697, o Piauí já tinha 129 fazendas de gado; em 1730, 400 fazendas; em 1772, 578 fazendas e em 1818, 795 fazendas. A pecuária tornou-se o mais importante fator econômico do Piauí, porém, a partir de 1760, passou a sofrer a concorrência de Minas Gerais. As terras para o uso agrícola começaram a ser utilizadas nos espaços desocupados entre as fazendas. A agricultura praticada era exclusivamente para fins de subsistência (MOTT, 1985). A evolução político-administrativa do município de São Raimundo Nonato, tem como ponto de partida a doação da fazenda Conceição, propriedade do “Mafrense”, aos jesuítas, que construíram uma casa e deram o nome de Sobrado da Conceição. O lugar 6 Luiz R. B. MOTT. 1985. Piauí Colonial; população, economia e sociedade. Governo do Estado do Piauí, Teresina, 144p. Nos referimos ao artigo que tem por título: Etno-história dos índios do Piauí Colonial. Série Meio Ambiente Debate, 13 37 denominado Confusões, foi elevado à condição de Distrito Eclesiástico de São Raimundo Nonato por Decreto Imperial em 1832. O município foi criado em 1850, a comarca em 1859, e adquiriu o Foro de Cidade em 1912. Por ser um município muito extenso, São Raimundo Nonato sofreu vários desmembramentos (IBGE, 1984).

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